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Dia 23 de abril é comemorado o Dia Internacional do Escoteiro. Movimento fundado em 1907 pelo britânico Robert Stephenson Smyth Baden-Powell que nasceu com o objetivo de tornar meninos cidadãos exemplares. E uma dessas figuras exemplares faz parte de um capítulo especial na história da Fundação Educacional Caio Martins e por isso recebe a nossa homenagem. Conheça agora a história do escoteiro mineiro Caio Vianna Martins:
 
Nascido em Matosinhos (MG) no dia 13 de julho de 1923, Caio era filho de Branca Vianna Martins e do farmacêutico Raymundo da Silva Martins e desde criança já demonstrava que sua vida seria dedicada a pensar no próximo. No trecho do livro Semeando e Colhendo, escrito por dona Márcia de Souza Almeida, educadora, musicista e esposa do Coronel Manoel José de Almeida, a vocação para fazer o bem aparece logo em seus primeiros anos de vida:
 
Livro semAos seis anos de idade foi matriculado no Grupo Escolar Visconde do Rio das Velhas, em sua terra natal e, quando ensaiava os primeiros passos em direção daquele estabelecimento de ensino, veio logo a revelar a grande sensibilidade naquele corpo ainda infantil: encontrou, à margem da estrada, dentro de um barracão em ruínas, uma mulher prostrada no leito de angústia, a quem, ao dar a luz, faltava tudo.
Caio tornando à sua casa pediu a seu avô, que era também farmacêutico, os medicamentos necessários para o tratamento da mulher e do filho. Também pedia dinheiro, com a intenção de socorrer a pobre infeliz. Tomou conta do tratamento da mulher e do filho, até que todos ficaram bem.”
Essa não foi a única vez em que o menino Caio prestou socorro aos mais necessitados. Foram diversas vezes que recorreu a sua família, utilizando-se de vários argumentos, no objetivo de arrecadar dinheiro para compra de remédios e auxílio aos enfermos. Certa vez o jovem chegou a faltar 15 dias na aula, ocupando-se em levar e administrar os remédios que pedia a seus pais a um homem que contraiu a doença varíola. As faltas na escola renderam-lhe um boletim com notas que desagradaram seus pais que não tinham a menor ideia de que o filho estava faltando a aula e pedindo dinheiro para fazer caridade.
A descoberta veio após o falecimento de Caio Martins quando uma das famílias ajudadas pelo menino procurou os pais de Caio para agradecer a dedicação do seu filho. “Essa família que recebeu tamanho ato de caridade de Caio, procurou o sr. Raimundo e d. Branca e, com lágrimas nos olhos, lhes contou o que Caio fizera por eles, o que constituiu uma grande surpresa para os pais, que desconheciam os fatos,” (trecho do livro Semeando e Colhendo).
A sua vinda para Belo Horizonte lhe daria boas oportunidades pois a sua vocação para o escotismo o tornaria um destemido jovem guerreiro. Deu continuidade aos seus estudos no Colégio Arnaldo, mas pouco tempo depois se transferiu para o Colégio Afonso Arynos, onde aos 14 anos se tornou líder dos escoteiros e obteve reconhecimento e grande admiração devido a sua postura exemplar diante das regras e fundamentos do posto que assumiu. Para quem não sabe o escotismo é uma atividade voluntária e global, que trabalha em cima de alguns lemas como estar sempre alerta, estar pronto para ajudar o próximo e praticar diariamente uma boa ação.
A morte de Caio encerraria sua vida com um ato heróico e não menos grandioso que toda sua trajetória de generosidade. No dia 18 de dezembro de 1938, aos 15 anos de idade enquanto fazia uma excursão para São Paulo com a tropa escoteira do Colégio Afonso Arynos, um grave acidente veio lhe surpreender. O trem em que viajavam seguia sobre os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil, os vagões seguiam em direções opostas, a composição que vinha de São Paulo se choca violentamente com a vagoneta em que Caio estava.
Os esforços para evitar a colisão não foram suficientes para evitar a batida. Com as costelas partidas e o tórax contundido foi encontrado entre as ferragens retorcidas, mas até neste momento sua preocupação com próximo fez com que ele abrisse mão da própria vida e numa atitude heroica, eterniza seu nome na história do escotismo brasileiro. Caio recusa o auxílio médico, deixando claro que os outros precisavam de socorro mais que ele e em voz baixa diz para os seus colegas: “Um escoteiro caminha com suas próprias pernas.”
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Diante de tal episódio e de tudo que Caio representou enquanto escoteiro ser humano, o Coronel Manoel José de Almeida achou mais do que merecido que o menino se torna-se um exemplo para ser lembrado ao lhe render uma homenagem nomeando sua obra de “Escolas Caio Martins”, hoje conhecida como Fundação Educacional Caio Martins.
Este ano a Fundação resolveu fazer mais uma homenagem a Caio Martins no dia 1º de maio, data em que é realizado o principal evento da instituição: o Dia do Ex-Aluno. O escoteiro foi lembrado através de sua imagem e sua frase que ficou eternizada: “O escoteiro caminha com as próprias pernas”.
 
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Fontes:
Livro - Semeando e Colhendo, autora Márcia Sousa Almeida.
Site - Escoteiros do Brasil. Construindo um mundo melhor
Fotos: Arquivo FUCAM / Acervo da Bola / Leiloesbr
ASCOM FUCAM