O Brasil está vivendo um dos grandes momentos políticos que converge todos olhares para água do planeta. O 8º Fórum Mundial da Água, pela primeira vez realizado no Hemisfério Sul e sediado na capital do país desde o dia 18 de Março, está somando as vozes das principais lideranças mundiais no assunto, marcando a semana de atividades entorno do Dia Mundial da Água, comemorado neste 22 de Março. Em consonância com a pauta, o Governo do Estado de Minas Gerais, através de suas secretarias, autarquias e fundações, já tem várias iniciativas nesse sentido e agora ganha o reforço da Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM), dando luz ao programa Sementes D'Água, com o finalidade de trabalhar pela manutenção, proteção e produção de florestas, o cercamento e a recuperação de nascentes dos territórios onde a fundação está inserida.

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Compactuando com o alerta da Organizações da Nações Unidas (ONU), que concebe desde 2010 a água potável como um direito humano fundamental, a FUCAM não fica inerte diante da necessidade e responsabilidade de atuar na preservação dos recursos hídricos e das florestas, acreditanto que, ao cuidar das florestas, automaticamente os mananciais de água ficam protegidos. Iniciativa que integra o guarda-chuva de ações inovadoras e sustentáveis da INOVAFUCAM, linha de gestão que projeta a instituição para o futuro, o programa Sementes D'Água prevê a produção e proteção das florestas, somando esforços ao projeto Plantando o Futuro do governo de Minas Gerais, cujo objetivo é plantar 30 milhões de árvores até dezembro de 2018, e outras iniciativas governamentais como o Pro Mananciais da COPASA e Agência de Regulação de Saneamento da Água e Esgoto (ARSAE), além de instituições do terceiro setor e dos movimentos sociais.

Unida a parceiros como SENAR Minas, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), EMATER, IDENE e outros, a FUCAM pretende transformar os Centros Educacionais, ocupando seus espaço na área urbana e suas fazendas, em locais de desenvolvimento de atividades concretas de ensino, aprendizagem e construção de conhecimento teórico e prático voltados para as demandas da sustentabilidade e dos requisitos necessários para longevidade da existência da vida do planeta em todas as espécies. Juntos, o público atendido e a instituição se transformarão em motores na luta pela preservação ambiental no Médio e Alto São Francisco.

Unindo a educação a preservação do patrimônio ambiental, os esforços do programa Sementes D’água serão destinados a preservação das áreas da FUCAM que estão nas margens do rio Paraopeba, São Francisco, Conceição, Urucuia, Carinhanha, Cochá e os córregos Quatis e Jatobá. Responsável pela Coordenação Regional de Conservação e Recuperação de Ecossistema do IEF, José Vanderval de Melo Júnior será o representante do instituto para realizar as ações estruturantes e formativas com os jovens da FUCAM, atividade que será estendida também a comunidades. As mudas produzidas pelos técnicos do IEF, junto aos jovens da instituição,serão plantadas pelas mãos dos mesmos nas margens desses cursos d’água, colocando em prática todo conhecimento adquirido. Segundo o coordenador, a proposta é dar oportunidade aos jovens de aprender sobre o cultivo de mudas, cercamento de nascentes e como realizar o plantio de árvores, colaborando com o fortalecimento do ecossistema. 

Uma das contribuições mais esperadas, enquanto produto, que se dará durante o programa é a vasta pesquisa nas espécies presentes dentro dos territórios da FUCAM, que se transformará em um Inventário de Florestas.

Nos municípios de Buritizeiro (MG) , Esmeraldas (MG), Januária (MG), Juvenília (MG), Riachinho (MG) e São Francisco (MG) o trabalho já começou. O programa realizou o georreferenciamento de todas as áreas da Fundação em parceria com a Emater e assinado pelo técnico Raniel Bispo Sobral (ex-aluno da Fundação). Já o IEF, que possui viveiros estruturados para realização de uma média de 140 mil mudas por mês em Januária (MG) e São Francisco (MG), reunirá profissionais como Engenheiros Agrônomos, Técnicos Ambientais, Viveiristas, Engenheiro de Pesca, Engenheiros Ambientais e Técnicos Ambientais do próprio instituto, habilitados para atuarem com educação ambiental, os adolescentes  jovens atendidos pela Fundação vão ter a oportunidade de participar de palestras, acompanhar oficinas e adquirir outras formas de produção de conhecimento que envolvam o tema.

Preocupado com a responsabilidade que a FUCAM tem em preservar o ecossistema dos territórios onde atua, o vice-presidente da Fundação, Gildázio dos Santos, acredita que o desenvolvimento deve estar completamente atrelado às necessidades básicas da população. “Não da para pensar em avanços tecnológicos e no enfrentamento da pobreza e redução das desigualdades se não reconhecermos, preservamos e valorizarmos nossas riquezas naturais. O desenvolvimento tem que partir do que temos, das comunidades tradicionais, da valorização dos seus costumes e tradições. Esses elementos são fundamentais para pensar no futuro, pensar no direito humano à água, na geração de renda de forma sustentável que não comprometa o meio ambiente, garantindo os recursos naturais para as gerações futuras”, explica do vice-presidente e militante dos Direitos Humanos.   

Centros Educacionais em sintonia com a preservação da água e os Objetivos do Milênio da ONU

Não é de hoje que a FUCAM realiza práticas de preservação ambiental com os jovens e as comunidades onde atua. Guardiã na Frente da Gastronomia Mineira (FGM) do 13º dos 17 Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que consiste em combater as alterações climáticas no mundo, os Centros Educacionais já realizaram diversas atividades relacionadas a educação ambiental em suas unidades.

Em Juvenília (MG), por exemplo, o Centro Educacional do Carinhanha (CEC) realizou, com os alunos do curso Técnico em Agropecuária, o desenvolvimento de técnicas para evitar erosão nas margens do Rio Carinhanha e o projeto ‘Salve o Rio Cochá’, que produziu mudas de diversas espécies para serem plantadas às margens no rio. Em Buritizeiro (MG) o rio São Francisco foi o tema principal durante palestra sobre meio ambiente realizada no Centro Educacional e os alunos do Pólo de Educação Integram aprenderam mais sobre a qualidade da água durante a visita  Estação de Tratamento de Água - ETA do Serviço Autônomo de Água e Esgoto - SAAE. Já em São Francisco o apoio do SENAR Minas, com a oficina de Viveirista, permitiu realizar a formação da comunidade e ampliar as oportunidades de trabalho no campo. Além diversas ações, o Pólos de Educação Integral e integrada da FUCAM sempre realizam atividades voltadas ao meio ambiente.

Estudantes usam bambus para evitar erosões nas margens do Rio Carinhanha
Alunos do Curso Técnico em Agropecuária aprendem a produzir mudas de árvores para serem plantadas na encosta rio Cochá, em Juvenília (MG)Crianças aprendem sobre a qualidade da água em visita a Estação de Tratamento de Água (ETA) do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) em Buritizeiro (MG)

Texto: Michelle Parron
Foto: Michelle Parron e NUCOM (Núcleo de Comunicação)
ASCOM FUCAM