As mulheres ocuparam seu espaço de direito durante a comemoração dos 70 anos da Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM), realizada no dia 1°
de maio no Centro Educacional de Esmeraldas (MG). Com representatividade, sororidade, feminismo, empoderamento e ativismo, elas marcaram presença nas apresentações e tiveram a oportunidade de debater questões importantes relacionadas ao sexo feminino, como o combate à violência.

Tema que não é voltado exclusivamente para mulheres, o assunto foi tratado pela roda de conversa “Violência contra a Mulher”, atividade promovida pela Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC) com coordenação da Subsecretária de Políticas para Mulheres, Isabel Cristina de Lima Lisboa, e atraiu um público diversificado, inclusive a participação dos homens presentes na comemoração.

A roda de conversa é uma das ações oferecidas pelo ônibus lilás da SEDPAC, que circula por centenas de cidades mineiras para levar informações e esclarecimentos sobre os direitos da mulher, além de combater as diversas formas de violência que atingem o gênero. O veículo é equipado com salas fechadas para garantir privacidade e com modelo multidisciplinar onde são realizadas ações de prevenção, apuração, palestras, investigação e esclarecimentos sobre a Lei Maria da Penha e sua aplicação.


Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no ano passado cerca de 503 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora. Esse dado representa 4,4 milhões de brasileiras, na qual 9% delas são maiores de 16 anos. Ao contabilizarem as agressões verbais, o índice de mulheres que são vítimas de algum tipo de agressão em 2016 sobe para 29%. As estatísticas crescem a cada ano que se passa, o que leva projetos como o ônibus da SEDPAC à estarem procurando métodos para diminuir esses números e mudar a realidade das mulheres que sofrem diariamente com a violência, seja ela física ou verbal.

Ao trabalhar a importância das políticas públicas, a ação não debate somente a violência contra a mulher. Temas sobre, enfrentamento à pobreza, discriminação racial e de violação aos direitos humanos estão sendo fortemente pautados. É o que diz , Isabel Cristina de Lima Lisboa, em entrevista para a Assessoria de Comunicação da FUCAM. “É importante trabalhar homens e mulheres porque sem trabalhar também os homens a gente não consegue coibir a violência contra as mulheres, que ainda são segregadas a família e homens estão mundo público. Essa vinda para conversar com mulheres e homens é aproveitar que o público possa se informar sobre os seus direitos, se empoderar e coibir uma discriminação que é uma desigualdade de poder, que tem uma oprimida e um poderoso”, declarou a Subsecretária de Políticas para Mulheres.
Izabel Cristina de Lima Lisboa -  Subsecretária de Políticas para Mulheres da SEDPACA intervenção social incluída na programação da comemoração dos 70 anos da FUCAM teve como objetivo conscientizar e alertar as mulheres sobre seus direitos, sobre relacionamentos abusivos, machismo, preconceito desigualdade de gênero, e como combater essas questões. Para a coordenadora da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Tetê Avelar, a roda de conversa é importante para que as mulheres se encorajem a falar sobre a violência. “A gente vê o tanto que a gente tem que caminhar. É importante essa roda acontecer para que as mulheres se sintam à vontade para falar das suas tensões, das suas opressões e chegar nesse ponto que a gente acredita que tem que ser o rompimento. Saber o que é essa violência, que pode ser a violência emocional, patrimonial e institucional. A violência vai passando, é um ciclo até chegar na violência que mata,” afirmou Tetê, que também é professora e militante.

Todo o trabalho realizado pela instituição é focado no âmbito dos direitos humanos, levando para as comunidades onde estão localizados os Centros Educacionais uma política pública de qualidade, sempre atendendo diversas demandas sociais. É o que diz Nilmário Miranda, ex-secretário da SEDPAC e apoiador que reforça a importância da Fundação para a população de Minas Gerais. “A FUCAM trabalha com as pessoas independente de cor, condição social, de ser pobre ou classe média, sobretudo para os mais pobres. Ela é humanista, não tem opressão contra as mulheres, não tem racismo, não tem homofobia, não tem preconceito social e não estigmatiza os mais pobres. Pra mim a FUCAM é uma instituição de direitos humanos,” concluiu Nilmário Miranda.
Nilmário Miranda - ex-secretário da SEDPAC

Texto: Gabi Coelho
Fotos: Agatha Azevedo
ASCOM FUCAM