No mês que marca a luta mundial contra a homofobia, a ex-aluna da Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM), Lara Madonna Volguer Estrela, marcou a história da instituição durante a comemoração dos 70 Anos realizada no Centro Educacional de Esmeraldas (CEE). Primeira aluna travesti a se assumir, Lara transformou sua arte em ato político a favor da diversidade.

Nascida em Tucuruí (PA), Lara entrou para a FUCAM de Esmeraldas em 1996 e la permaneceu até 2001, quando assumiu a sua homossexualidade e passou a se engajar na luta LGBT. Aos 35 anos ela acaba de viver um dos momentos mais marcantes de sua vida, que foi retornar a escola onde foi educada e viveu momentos importantes, para se apresentar no palco e ser aplaudida por amigas e amigos, ex-alunas e ex-alunos, parceiras e parceiros, apoiadoras e apoiadores da FUCAM que vibraram com seu show realizado no tradicional encontro dos ex-alunos, que acontece todo dia 1° de Maio.

“É uma emoção estar representando a escola de Caio Martins nos 70 anos e eu cheguei viva né. Porque a expectativa de uma travesti de vida é 35 anos. E eu tenho 35 anos. E vou fazer história nessa escola como a primeira travesti a se apresentar no palco de Caio Martins”, conta Lara após sua apresentação no evento.

Para Lara, mais do que uma performance, seu trabalho é um ato de resistência. Em um país que tem os maiores níveis de violência contra os travestis, a ex-aluna fala da importância de ser guerreira e lutar contra a discriminação e a favor da liberdade e respeito ao próximo. “ Por mais que seja uma performance, é um ato político de existir e resistir. Porque para nós, travestis, é uma luta diária de sobrevivência. Saiu de casa e já começa a violência. Então temos que ser guerreiras e a FUCAM sempre me ensinou isso”, conta a ex-aluna.

Segundo o Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil, realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), só em 2017 o número de assassinatos é o maior registrado nos últimos 10 anos. Foram contabilizados 179 assassinatos de travestis ou transexuais, um número de 1 assassinato a cada 48 horas.

A Luta Internacional Contra a Homofobia é comemorada, todos os anos, neste dia 17 de Maio, mas a luta pela vida deve ser diária. “Espero que meu trabalho abra a porta de muitas outras apresentações e que eu seja um ponto de partida positiva para as pessoas serem livres, libertas do seu preconceito”, completa a performista.


Texto: Michelle Parron Ruiz
Fotos: Agatha Azevedo
ASCOM FUCAM