Morreu na noite de ontem aos 100 anos e 7 meses, a educadora e fundadora das Escolas Caio Martins, Márcia de Sousa Almeida. Uma história de vida marcada pela coragem e ternura, Dona Márcia transformou a vida de mais de 80 mil pessoas e suas famílias ao lado do esposo e também fundador da FUCAM, Coronel Manoel José de Almeida. 

Em 1917 nascia, em um pequeno município no sul de Minas Gerais, uma mulher que marcaria para sempre a história de milhares de jovens brasileiros, os chamados de "caiomartinianos". Márcia de Sousa Almeida foi o exemplo de mulher que esteve a frente do seu tempo e que começou sua história com a educação muito cedo. Em 1938, aos 21 anos de idade, após se formar como Normalista, criou a sua primeira escola. Em 1941 uma união marcaria para sempre a vida de crianças no interior de Minas Gerais: o casamento com o jovem tenente da Polícia Militar Manoel José de Almeida. Juntos o casal dá início as Escolas Caio Martins com a abertura da sua primeira unidade em Esmeraldas (MG), hoje Fundação Educacional Caio Martins que também está nos municípios mineiros de Januária, Juvenília, Buritizeiro, São Francisco e Riachinho.

Nos anos 60, em Brasília (DF), passa a lecionar na cadeira de música na Escola Elefante Branco e em 1962 começa a trabalhar no gabinete do Ministério da Educação. Em 1976 forma-se em pedagogia e, durante esse período em Brasília, as Escolas Caio Martins se transformam em Fundação Caio Martins - FUCAM, através da Lei nº 6514 de 1974.
 

Em 1990 Dona Márcia assume a presidência da FUCAM e a partir de então começa a ganhar reconhecimento mundial, através de medalhas e prêmios pelo seu feito na educação. Em 1996 recebe a Medalha da Inconfidência em Ouro Preto (MG). Em 1998 recebe a Medalha e Comenda do Mérito Judiciário do Trabalho das mãos de um ex-aluno da Caio Martins que se tornou MInistro do Superior Tribunal do Trabalho. Em 2003 foi considerada a  Mulher do Ano na Educação pelo Ministério da Educação e em 2004 recebe homenagem na Embaixada do Brasil em Roma, através das mãos do Embaixador Itamar Franco.

Dona Márcia com os alunos no Dia da Árvore

Mesmo com os enormes desafios e dificuldades, Dona Márcia se manteve forte e companheira, desbravando o interior de Minas Gerais ao lado do companheiro Manoel de Almeida. Uma mulher que foi mãe não só de seis crianças biológicas, mas que tratou como filho cada uma das crianças das Escolas Caio Martins, doando-se com afeto, atenção e respeito àqueles pequenos cidadãos que seriam os alicerces futuros do país.

 

Não há dúvidas que Márcia de Souza Almeida, que registrou todas as memórias da Caio Martins em seu livro "Semeando e Colhendo", fez uma trajetória de dedicação, solidariedade e amor na e pela educação. E é certo que jamais um caiomartiniano se esquecerá das suas aulas de música ao pé da árvore nas tardes ensolaradas de Minas Gerais e de seu olhar eternamente amoroso.

Dona Márcia com o Coral em Esmeraldas (MG)No dia 28 de Novembro de 2017, Dona Márcia comemorou seu aniversário de 100 anos ao lado dos filhos, netos e amigos da família. A FUCAM esteve presente no evento e registrou o momento.

Com pesar e gratidão a família da Fundação Caio Martins lamenta a perda de Dona Márcia, que deixou um legado brilhante em prol da educação das nossas crianças e jovens brasileiros. Com certeza as suas sementes continuarão a germinar pelo nosso país!


Texto: Michelle Parron
Fotos: Arquivo Pessoal
ASCOM FUCAM